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A loucura em O Alienista de Machado de Assis

June 18, 2008

Eu penso que quando Machado de Assis escreveu esse livro, ele mesmo estava passando por algum tipo de desarrange mental. Concordo com Foucalt quando ele disse que “ por trás de todo escritor esconde-se a sombra do louco que sustenta, o doutrina e o recobre. Pode-se-ia dizer que, no momento em que o escritor escreve, o que ele conta, o que produz no próprio ato de escrever, nao e outra coisa senão a loucura”.

Não estou falando de estupidez, estou falando genialidade. A intensidade do qual esta obra nos faz refletir sobre a loucura e a razão. O que realmente faz um louco? O que realmente faz uma pessoa sã? O liame entre os dois me parece muito indeciso e obscuro.

Dr. Simão Bacamarte, renomeado Dr. cientista em Portugal, Espanha e Brasil, decidiu investir na ciência da loucura em Itaguaí e alarmou uma cidade inteira com sua paixão pela ciência. Um homem culto, sem arroubos, racional e frio do qual dedica a vida aos estudos dos alienados. Este construiu um sanatório e lá enjaulou alguns cidadãos considerados loucos para estudos. Com o o passar do tempo, todo cidadão de Itaguaí poderia ser supeito de algum tipo de loucura e assim Dr. Bacamarte superlotou o sanatório de pessoas comuns, pessoas importantes da sociedade, pessoas queridas e bem-vistas. Todas essas, de acordo com o alienista, com algum tipo de desordem mental.

Imaginem. O alienista era o pioneiro em seu tempo a dedicar-se a tal estudo. A priori, todos na cidade achavam que o próprio alienista era o alienado por se dedicar a esse estudo. Mas Dr. Bacamarte tinha o dom da verbalização, tinha convicção de que seus estudos eram extremamente importantes para a evolução dos estudos do célebro e suas repercursões sociais.

Até então, as sociedades, especialmente as européias, eram tolerantes aos “loucos”. Na verdade, não havia o que fazer com eles e ainda para outras culturas, a loucura poderia ser considerada uma benção pois uma vez que eram desprovidos da razão, nao poderiam ser culpados de qualquer pecado. No final do seculo VXII a sociedade tornou-se impaciente com os loucos, dai o interesse pelo estudo da pessoa atipica.

Dr. Bacamarte ficou embreagado em seus pensamentos e estudos sobre a loucura. Prendeu quase uma cidade inteira, para no final, concluir que “os loucos que curara eram tão desequilibrados quanto aos demais doentes que soltara”.

De acordo com Rene Descartes, em sua obra “Discurso do Metodo”, para se chegar a verdade, que se duvide de tudo, mesmo das coisas aparentemente verdadeiras. A partir da duvida racional pode-se alcancar a compreensao do mundo, e mesmo de Deus” e, baseando-se nesta ideia Iliminista, Dr. Bacamarte resolveu duvidar dos racionais, dos sãos e prendeu-os para analisa-los e cura-los, uma vez que em um mundo normalmente insano, o louco era aquele completamente sano.

Depois de muitos estudos, Dr. Bacamarte concluiu que não concluiu coisa alguma e começou a duvidar da própria sanidade. Não é pra menos!

Como dizia Raul Seixas “ Enquanto você se esforça pra ser, um sujeito normal, na loucura real. Eu do meu lado aprendendo a ser louco, um maluco total, na loucura real”. . Controlando a minha maluquez, misturada com minha ludizes…”. E completando a mesma idéia, Foucault disse “…Desconfiemos, portanto, daquelas que fazem com demasiado cuidado e arrumacao de sua historia”.

O louco mór da estória, Machado de Assis, em sua genealidade insana, transmite em sua obra a reflexão que “ ser anormal eh extremamente normal”. Todos nós temos algum tipo de maluquice em diferentes graus e classificações. Alguns tem plena consciência de sua loucura e as expressão ou às repreendem. Outros , não tão conscientes, recriminam à loucura de outrem e assim vai.

Também podemos dizer que aqueles, do qual achamos completamente equilibrados e racionais, que buscam a perfeição a qualquer custo, são os verdadeiros loucos. Malucos perigosos por muitas vezes. Outros completamente voltados a ciência filosófica, material, experimental, literária…totalmente apaticos a vida social e doentes da “genialidade”. Nao se interessam pela vida mundana, comum. E graças a eles existe o progresso, a evolução dos pensamentos… Se não fossem os loucos, viveriamos em um mundo estagnado.

Não expus aqui, entretanto, outros temas inerentes a obra como a influência política, poder e manipulação do sitema e do povo, sendo estes, pauta para outro artigo.